quarta-feira, 25 de Novembro de 2009




contemplo os passos já dados e revejo cada traço da universidade que confortavelmente me preenche os dias. enquanto caminho, a chuva encharca-me de melancolia e musica, com mil e uma gotas, as saudades que sinto por ti. canto o teu nome, mas em vão; tu não respondes.

sinto o desconforto das roupas molhadas que me tocam o corpo e a chuva continua a abençoar-me com desolação. páro, com esperanças de voltar a sentir o conforto e calor do teu abraço, mas em vão; tu não apareces.
olho, sem saber o que observo, e descubro que tudo está cinzento, tudo perdeu a cor. procuro a cor dos teus olhos para fazer os meus brilhar, em vão; tu não te revelas. apática, percorro a calçada sem saber por onde ir e estendo a mão gélida à espera que a agarres e me guies. em vão; tu não a seguras.
eu sei que a minha imaginação perturba o rumo natural das coisas; não o nego. é ela que me eleva ao apogeu da vida que vivo sonhando e que me larga numa realidade que não me vê, apenas passa por mim. peço-te um pára-quedas, para que a queda não seja tão brusca, mas em vão; tu finges não me ouvir. tu simplesmente não estás ao meu lado.

sábado, 7 de Novembro de 2009

é um segredo o que irei escrever a seguir, mas de certo que a ninguém contareis. sabeis porque me eclipso quando me encontro acorrentada a apenas um único coração? é com sufocante suspiro, olhar distante, que lhe dou a mão...
mas quando me encantam as palavras que suspirais nesse silêncio, erradamente qualificado como constrangedor, que surge uma inocência melosa, uma inconsciência bucólica que me centelham os sentidos. invade-me a vontade de roubar um beijo ao momento e selá-lo para sempre com o brilho dos olhos que se contemplam. quero poder adorar livremente tudo o que a mim me cativa! quero possuir esse infinito e recordá-lo em cada linha da palma da minha mão. quero poder amar livremente tudo aquilo que me faz bem, por mais efémero que seja; que assim seja. quero poder retribuí-lo com carinho nos lábios e cumplicidade no entrelaçar de dedos. quero partilhar alegrias e tormentos com o toque, quero dar força com o conforto de um abraço. quero poder soltar o virginal amo-te e oferecê-lo a quem me colora a vida e me acrescenta brilho aos olhos; e dizê-lo de novo, e de novo, sem nunca o prostituir.
meu amigo, eu amo-te. não, não lanceis essa dúvida e desconfiança nos olhos semicerrados por causa deste meu raro fulgor. a lua cheia brilha plena de extravagância e isto não são mais que desejos reprimidos pelo socialmente correcto.

sábado, 31 de Outubro de 2009




tenho guardado no meu coração um Fado para ser lamentado e acordes ecoados. e mesmo alcoolizado com tanto sentimento, é por vontade dele que os meus dedos cortados pela guitarra tiram a venda que me iludia do que se prostrava em frente aos meus olhos. no tom de arrogância e frieza, solto o tal Fado com que fostes amaldiçoado pelos meus beijos docemente fatais, enquanto me apercebo do caos deixado por esta Sorte tão inconstante e vaga...
se ao menos os meus olhos tivessem o interesse de se deixarem envolver pelos teus, talvez vísseis lá espelhados, em tons de cinzento verde e azul, a mesma dor e sinceridade que tresanda a minha vontade.
mas meu amor, não sabíeis que não só quem nos odeia ou nos inveja nos limite e oprime; quem nos ama não menos nos limita? apenas ficam o remorso e culpa por te esfaquear o coração, fazendo o mesmo que nenhum para estancar o sangue que agora me banha a alma. falha a voz, parte-se a corda, escorrem lágrimas, finalmente. mas tudo isto é Fado e, mais tarde, entoarei, em choro, a Saudade, que já me invade o coração postiço...