contemplo os passos já dados e revejo cada traço da universidade que confortavelmente me preenche os dias. enquanto caminho, a chuva encharca-me de melancolia e musica, com mil e uma gotas, as saudades que sinto por ti. canto o teu nome, mas em vão; tu não respondes.
sinto o desconforto das roupas molhadas que me tocam o corpo e a chuva continua a abençoar-me com desolação. páro, com esperanças de voltar a sentir o conforto e calor do teu abraço, mas em vão; tu não apareces.
olho, sem saber o que observo, e descubro que tudo está cinzento, tudo perdeu a cor. procuro a cor dos teus olhos para fazer os meus brilhar, em vão; tu não te revelas. apática, percorro a calçada sem saber por onde ir e estendo a mão gélida à espera que a agarres e me guies. em vão; tu não a seguras.
eu sei que a minha imaginação perturba o rumo natural das coisas; não o nego. é ela que me eleva ao apogeu da vida que vivo sonhando e que me larga numa realidade que não me vê, apenas passa por mim. peço-te um pára-quedas, para que a queda não seja tão brusca, mas em vão; tu finges não me ouvir. tu simplesmente não estás ao meu lado.