sábado, 16 de Janeiro de 2010

olhai as virgens que enfeitiçais, o quão oferecidas se descobrem! ousais recitar essas ilusões desditas, pérfidas, funestas de honra e compromisso e nem treze peitos nus bastariam para saciar a carência do vosso corpo. vede como dançam as virgens! celebrando as blasfémias com que lhes desvairais a razão, vendendo a sua alma a hades num transe libidinoso, corpos enfermos de desejo que rodopiam em volta da fogueira da sina que não adivinham, lembrando qual oráculo de delfos, não fora a vontade ser outra e as virgens se profanarem pelo vosso maculado coração. calai a heresia que ecoa nas orações que segredais às virgens, eu vos demando! a vossa alma não se santifica com o sacrifício indulgente das pobres, nem com os rituais perversos que encarniçam a dádiva de eros, transformando-a na obscena merda que tendes como filosofia!
contemplai o fruto do vosso ultraje que me enche o bucho; estou prenha do vosso sémen derramado, envenenado pela gula, posse e vaidade. outrora virgem que desflorastes, haveis agora desgraçado o belo busto com que eu vos afagava, generosamente, libertando as três erínias que vos crucificam em cruz suja e torta, que vos despe as falsas roupas, revelando um corpo escarnecível e frouxo! tende o obséquio de abrir a cova para este bastardo infecundo que renuncio e ide-vos com ele; jurai que vos matais, livrando-nos a todas do fogo do vosso inferno.

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

a rua está deserta mas há qualquer coisa que o vento sussurra que parece acompanhar o eco dos saltos que cansam os meus pés. uma fragrância solta os jeitos vivos do meu cabelo e sem me aperceber olho para trás, como quem é chamado pela vida. emergem diante dos meus olhos todas as escolhas que me foram dadas, todos os momentos que passaram por mim, aqueles que realmente vivi e ainda os que senti a sonhar. quem me visse intrigar-se-ia com o sorriso que surge do nada; mas não é do nada. apenas recordo tudo o que experimentei: bom, mau e até indiferente. pisco o olho sei lá ao quê ou a quem, e sinto o meu corpo levitar com a paz que me invade; em nada mudaria no tanto que se passou. nada surge do acaso, tudo tem o seu porquê. porquê? não procures nem creias: tudo é oculto. a lua cheia goza de tremenda, primorosa esbeltez...!

sábado, 19 de Dezembro de 2009

al, olha como tens o teu coração... que foste tu fazer?
espetei-o.
com alfinetes.
sim, para vos prender.
porquê?
ora, eu avisei os outros para não fazerem caso da vossa falta de consistência, minhas vontades, que sacude este coração, minuto a minuto, sensação a sensação. mas eu é que devia ter cuidado.
e agora sofre o teu coração...
que assim seja; neste momento prefiro a acutilante dor física, ao desamparo, tristeza e sufoco atirado pelo vosso conflito.
culpas-nos a nós? culpa antes o medo que te petrifica.
não quero perder tudo...
pois. e agora, o que vais fazer?

não sei.
diz-lhe tudo! diz-lhe o que sentes, diz-lhe o que desejas!

não posso, ele afasta-se.
a ver vamos. como podes ter tanta certeza disso?
esqueces-te que o conheço?
conhece-lo mas pouco o percebes.
pouco importa; sei o que esperar dele.
diz-lhe que é nele que pensas noite e dia! diz-lhe que é ele a causa de toda a tua dor, que não consegues dar atenção a quem te ama, diz-lhe!

não posso, ele depois vai embora.
e se for? deixa-o ir, é melhor assim.
e depois o que era de mim sem ele...?
ias reencontrar a paz e a estabilidade que tanto precisas. liberdade, há muito que não sabes o que é. afinal, o que é que ele já fez por ti, para tu continuares tão presente na vida dele? só na crise e na carência é que ele te procura... de resto, trata-te igual às outras.
está sempre a ir e a voltar... parece que não quer ficar comigo...

tu sabes tão bem como ele é... já o leste, sabes perfeitamente que ele é o teu oposto. como o podes adorar tanto?
eu também gostava de encontrar resposta para isso...
e objectos não substituem pessoas.
eu sei lá o que lhe ia na cabeça. eu sei que ele gosta, mas não tanto como aquilo que eu espero. e ele agora sofre...

o que tu já sofreste também! aliás, a tua situação foi muito pior. e deste bem a volta sem o apoio dele.

e por isso também não o devo apoiar? para ele sentir o mesmo que eu senti...?

pára de pensar e deixa-te levar pela vontade dele. ele quer usar-te, não é? então, usa-o tu, e atreve-te a deitá-lo fora.
não sou capaz disso, nem sei como é que aqui estás.
se aqui estou, por algum motivo é. tu já o fizeste; experimentaste e soube-te bem. agora, ainda melhor. sabes tão bem que quando se perde é que se dá o valor.
mas não devia ser assim... eu não devia ter que lhe dizer nada! porque é que ele não vê o que eu sinto, com tudo o que lhe faço e mostro?

pois. e agora, o que vais fazer?

nada. aprisionadas vocês ficam e indiferente eu continuo. a seguir à lua nova, virá a lua cheia.
como podem as pessoas perceber quem és...
melhor assim.